Minha velha amiga
As vezes eu sinto falta dela. As vezes eu agradeço que esteja longe de mim. Essa é a minha velha amiga, a que nunca me abandona e que apenas dorme, voltando nos momentos menos oportunos, que mais são dolorosos pra mim... Ela me sufoca, me agarra com as pernas e suga toda a cor dos meus olhos. Quando ela está aqui comigo, o mundo fica mais preto e branco, bem e mal, ying e yang. Tudo parece sem vida quando está sentada ao meu lado. Mas sua companhia me fortalece, a pesar de tudo. Um osso sempre se recupera mais forte depois de quebrado. Às vezes ela só fica quieta me observando, às vezes ela vem me dar a mão e me leva para o nosso lugar mágico. Nesse lugar, somos só eu, ela e uma multidão desesperada a nossa volta. Ficamos nós duas olhando para o rio passando sobre meus pés, me convidando para conhecer seu seio lamacento e lúgubre. Sintia que um dia ela iria me convencer. Na verdade, houveram três vezes que ela me convenceu. Uma eu conheci a torrente escarlate que jorrava de dentro ...